Thursday, April 12, 2007

Amor de uma jovem nuvem

Era uma vez uma nuvem jovem, linda em suas formas e emocionante com sua cor branca. Havia se formado em cima do Atlântico e um dia enfim, tomava seu rumo junto com outras nuvens mais experiente para seu destino final. O Vento as ajudava a tomar seu caminho para o continente africano onde um dia haveriam de se desfazer em chuva em cima do Grande Bosque, numa região mais arborizada ao sul da África.
Estavam passando pelo deserto e para a jovem nuvem era tudo muito encantador, de uma beleza sem igual, era a primeira vez que por ali passava. Viu ela no meio das centenas de dunas uma jovem duna, recém formada pelo vento e que tomava uma forma muito linda. E por ela a jovem nuvem ficou enamorada.
Perguntou as outras nuvens porque elas não se desfariam ali, naquele deserto, um lugar tão lindo e que tanto precisava delas. Uma nuvem mais experiente lhe respondeu:
- Não vale a pena morrer aqui, é um lugar seco, sem vida, sem ninguém para aproveitar o que lhe daremos. Já Grande Bosque tem flores, arvores e animais que se alimentam da nossa água e precisam dela para permanecer vivas. Lá seremos de bom proveito.

A jovem Nuvem não ficou contente com aquilo. Estava por demais enamorada da pequena Duna e com ela queria ficar. O Grande Bosque não parecia tão atraente quanto sua querida e jovem Duna. Resolveu ficar.
Aproximou-se então da jovem Duna e lhe falou:
- Estava a te olhar, admirando o quanto és tu formosa. É a coisa mais linda que já vi. Tuas formas, tuas cores são tão encantadoras que me fazer querer estar aqui contigo, pra sempre.
A jovem Duna lhe respondeu:
- Oh jovem Nuvem, a mim também encanta tuas formas, como és linda ai onde estais. Teu branco no infinito azul do céu é tão lindo que não consigo ver nada que não seja a tua maravilhosa forma. Diz-me como é a vida ai em cima?

- Aqui é lindo! Os pássaros voando vem nos fazer companhia. Cantam para nós cantigas de alegria e felicidade. É muito lindo o voou dos pássaros. O vento nos carrega por todo canto e vemos coisas muito lindas aqui de cima. Mas nada havia me encantado tanto como tu minha querida Duna. Dizes-me agora tu, como é tua vida ai embaixo? – Respondeu a jovem Nuvem.

- Aqui é bem bonito sim! Tem os animais que rastejam sobre nossa superfície nos fazendo cócegas e nos enchendo de sorriso. Tem também os viajantes com seus camelos... Ah como são lindos os viajantes, uma pena que não possamos oferecer muito a eles. O vento também nos carrega de um lugar pra outro e logo estarei morrendo e em algum outro lugar me formarei de novo. E assim é! – Disse-lhe a duna

A jovem Nuvem então decidiu que morreria ali com sua amada. Já não conseguia pensar em outra coisa senão ficar ali com ela e a melhor maneira eram se desfazer em água e banhar sua amada Duna. E assim o fez! Derramou sua água por sobre a Duna.
A Duna ali ficou e o Vento não a levara dali. Logo começaram a desabrochar flores por toda ela e uma invasão de cores e vida se espalhava por toda sua superfície. Ficou então mais bela do que jamais nenhuma outra duna ficara. Logo outras nuvens por ali passando, ao avistarem a florida e viva duna desabavam suas águas fazendo assim com que a duna se tornasse cada dia ainda mais encantador. Ai um dia aconteceu de que lhe chamaram de bosque e a Duna feliz ficou, pois tudo ali era fruto do amor de sua querida pequena Nuvem. E amou-a para sempre.


Fim.

Vale ou não a pena morrer por amor?


Conto de dominio publico em algum lugar desse mundo.
A mim fora contada por Patrick, um amigo que conheci faz alguns dias e que tem ajudado a fazer dos meus ultimos dias aqui em Canoa um momento deveras especial. A mim fez a pergunta e que agora fiz a todos que o texto leram.

Monday, December 04, 2006

Pequeno menino miúdo

Ingratidão. Essa foi a primeira palavra que me veio a cabeça ao perceber que na frente da minha casa um menino que de tão miúdo parecia ter saído de um conto de fadas, caminhando tranquilamente para casa depois de mais uma manhã de aula. Coisa comum, não fosse o fato de que a casa de tal garoto, segundo informou minha mãe, estar num lugar onde com muito esforço meus olhos alcançaram no meio daquele areal a beira do mar. Estava localizada a uns 5 quilômetros de minha casa, que por sua vez, ficava a mais ou menos hum quilômetro da escola na pequena cidade em que vivo.

Vinha ele vestido em seu uniforme azul marinho (sempre achei crueldade em pleno o estado do Ceará que é quente que só casebre de besta do diabo, onde morei boa parte da vida e desfruto meus dias atuais, o fardamento escolar ser, em grande parte das escolas, de cores escuras), com um pequeno chapéu bege carregando uma mochila, que nas costas de um adulto poderia carregá-lo dentro, trilhando seu longo caminho, chutando pedrinhas do chão irregular, arrastando suas mãozinhas nos muros das casas vizinhas a minha, tranqüilo e só, mergulhado num mundo que não conheço, mas que pela expressão de seu pequeno corpo me parece um lugar calmo, belo e de conforto já que o menino ignorava o calor, a distância e a dificuldade a frente e graciosamente ia passo a passo vivendo a rotina regular de sua caminhada.

Vejo agora descer a praia e daqui tudo nele que se ver é um ponto azul na imensa paisagem que se pode contemplar de minha varanda. Tão insignificante na sua estatura que eu nem o enxergaria se meus olhos não estivessem caminhando com ele desde o momento que ele na frente de minha casa se fez perceber. Assisti-lo assim com olhos e coração atentos me fez voltar aos meus tempos de escola, onde a obrigação e as facilidades eram as únicas coisas que me prendiam a vida escolar e tão somente graças a isso que hoje me aventuro com as letras.
Lembro-me que em sala eu, muitas vezes, me fazia valer do sono e dormia descarado em aulas que de tão desinteressantes que me eram, derrubavam qualquer resistência que eu ensaiasse em relação ao cansaço psicológico forçado. E assim foi, como se diz na minha terra, “levando com o buxo”, que consegui, com alguns anos de atraso terminar meus estudos sem nada que me fizesse deles lembrar com orgulho de tê-los vividos com esforço,dedicação e persistência.

Talvez o pequeno menino nem termine seus estudos como eu, já que no nosso país o futuro das crianças mais pobres ainda está tão entregue aos porcos. Mas no alto de seu no máximo hum metro de altura se mostra bem mais sábio e se faz bem mais merecedor de toda fonte existente de conhecimento do que eu em todo o conjunto de meus dias consegui ser. Um pequeno grande exemplo.

Ele agora chega em sua casa no momento em que eu, humilhado por sua pequena figura e arrependido por jamais ter valorizado como ele os estudos, presto uma homenagem a essa figurinha miudinha que lá longe está e que na graça de seu caminhar me ensinou aquilo que eu nunca quis aprender.

Ao pequeno menino miúdo.

Pedro Almeida

Monday, July 03, 2006

::para os olhos::

caindo em si|mundo livre s/a
música para os olhos::: lab.d:.

Thursday, June 29, 2006

::para os olhos::

a felicidade|tom e vinicius
música para os olhos::: lab.d:.

Friday, June 23, 2006

::a casa de bó::

Nas redes da varanda ou brincando de ciranda.

Na casa do Bó tem uma ampla varanda que corre por todo exterior da casa. Tem redes pra quem quer que se axegue possa deitar e ao balanço da rede venha adormecer e sonhar. Tem almofadas enormes de grande pra casais namorar, crianças pular e cachorros se esfregarem. Tem dependurados lindas samambaias com caichos verdes e também flores pra que se aproxime também os beijoqueiros e faça da varanda seu refeitório o ano inteiro.
Tem mesa de sinuca, mesa de carta e ping-pong. Mesa pra comer, beber e brincar. Mesa pra gargalhadas e sérias críticas ao governo se fazer. Mesa pra ganhar peso e matar o desejo de doçes comer. Na varanda se serve, baião, fundi, churrasco e caranguejada. Na varanda se serve chocolate, salada de fruta, sorvete e goiabada. Na varanda se serve, abraços, beijos e amor, tudo de graça.
Tem meninos correndo pra lá e pra cá e eu procurando onde a tristeza foi parar. Será no quarto, no banheiro ou na sala de estar? Rodas de ciranda, de cantigas e violeiros. Crianças, jovens aldultos e velhos dançando e cantando, mostrando a alegria do bom povo brasileiro.
Sejam bem-vindo viajantes venham de nossa alegria compartilhar.


continua...

Wednesday, June 21, 2006

::a casa de bó::

Começo de tudo, da casa sem muros.

A casa do Bó é erguida distante dos zumbidos da cidade, mas não tanto, porque na civilização ainda se tem lugar para colocar o coração. Fica asim, perto de algum lugar onde se possa contemplar a natureza de nosso Senhor. De lá se vê o céu, o sol, a serra ou o mar.
Tem um bom terreno pra caber mais ou menos tudo o que Bó sempre quis desde pequeninho. Tem lugar onde se pode sempre ser velho sem deixar de ser minino. Tem também um eucalipto, para que cresça e um belo dia seja o guia de quem quer que apareça para o Bó visitar.
Tem vizinhos, rendeiras, pescadores ou guia de trilhas e mergulhadores. Tem gente que pela magnitude da natureza morre de amores. Não tem muros, porque assim geram susurros de que ali mora um estrangeiro.
Um lugar onde a simplicidade é sempre uma aparente verdade. A noite é sempre bem-vinda. A alegria e toda compania que trazem pães-de-queijo, cafézinhos, tapiocas e cházinhos, que temperam a noite e o tão bom friozinho.
Seja a casa do Bó da alegria um picadeiro que alegrará o mundo inteiro com gargalhadas de amor.


continua...

Tuesday, May 30, 2006

::tal moça::

Suspiros de tal moça...
É como uma brisa que vem do mar
Refrescar o dia quente de quem a vida se dedica com vigor.
É como o assobio de um sabiá
A cantarolar nos campos alegrando a vida do campones trabalhador.
É como o sorriso de uma criança
A nos mostra a importacia de levar a vida com amor.

Os olhos de tal moça...

Brilhando é como a luz do sol
Refletindo na careca do velho
Que em toda sua serenidade celebra a vida ainda que dificil.
Brilhando é como a luz no fim do tunel
Na vida de um jovem desiludido com o amor
De uma vida cheia de sacrificios.
Brilhando é como a esperança de uma paz
Que mesmo com força e persistência branda suas ideias
Ao som da explosão de um míssil.

Casar com tal moça...
Seria como fazer um voto com a felicidade
Onde se teria a morte como unico meio de separar-se dela.
Seria com ela cada filho a prova de um amor
Em que a propria vida lembraria de que esse não morre.
Seria envelhecer rejuvenecendo e se desfazendo de toda corrupção
Causada por uma juventude perdida em porres.
Seria como voltar a vida
A cada novo passo dado em destino a morte.