Pequeno menino miúdo
Ingratidão. Essa foi a primeira palavra que me veio a cabeça ao perceber que na frente da minha casa um menino que de tão miúdo parecia ter saído de um conto de fadas, caminhando tranquilamente para casa depois de mais uma manhã de aula. Coisa comum, não fosse o fato de que a casa de tal garoto, segundo informou minha mãe, estar num lugar onde com muito esforço meus olhos alcançaram no meio daquele areal a beira do mar. Estava localizada a uns 5 quilômetros de minha casa, que por sua vez, ficava a mais ou menos hum quilômetro da escola na pequena cidade em que vivo.
Vinha ele vestido em seu uniforme azul marinho (sempre achei crueldade em pleno o estado do Ceará que é quente que só casebre de besta do diabo, onde morei boa parte da vida e desfruto meus dias atuais, o fardamento escolar ser, em grande parte das escolas, de cores escuras), com um pequeno chapéu bege carregando uma mochila, que nas costas de um adulto poderia carregá-lo dentro, trilhando seu longo caminho, chutando pedrinhas do chão irregular, arrastando suas mãozinhas nos muros das casas vizinhas a minha, tranqüilo e só, mergulhado num mundo que não conheço, mas que pela expressão de seu pequeno corpo me parece um lugar calmo, belo e de conforto já que o menino ignorava o calor, a distância e a dificuldade a frente e graciosamente ia passo a passo vivendo a rotina regular de sua caminhada.
Vejo agora descer a praia e daqui tudo nele que se ver é um ponto azul na imensa paisagem que se pode contemplar de minha varanda. Tão insignificante na sua estatura que eu nem o enxergaria se meus olhos não estivessem caminhando com ele desde o momento que ele na frente de minha casa se fez perceber. Assisti-lo assim com olhos e coração atentos me fez voltar aos meus tempos de escola, onde a obrigação e as facilidades eram as únicas coisas que me prendiam a vida escolar e tão somente graças a isso que hoje me aventuro com as letras.
Lembro-me que em sala eu, muitas vezes, me fazia valer do sono e dormia descarado em aulas que de tão desinteressantes que me eram, derrubavam qualquer resistência que eu ensaiasse em relação ao cansaço psicológico forçado. E assim foi, como se diz na minha terra, “levando com o buxo”, que consegui, com alguns anos de atraso terminar meus estudos sem nada que me fizesse deles lembrar com orgulho de tê-los vividos com esforço,dedicação e persistência.
Talvez o pequeno menino nem termine seus estudos como eu, já que no nosso país o futuro das crianças mais pobres ainda está tão entregue aos porcos. Mas no alto de seu no máximo hum metro de altura se mostra bem mais sábio e se faz bem mais merecedor de toda fonte existente de conhecimento do que eu em todo o conjunto de meus dias consegui ser. Um pequeno grande exemplo.
Ele agora chega em sua casa no momento em que eu, humilhado por sua pequena figura e arrependido por jamais ter valorizado como ele os estudos, presto uma homenagem a essa figurinha miudinha que lá longe está e que na graça de seu caminhar me ensinou aquilo que eu nunca quis aprender.
Ao pequeno menino miúdo.
Pedro Almeida
Vinha ele vestido em seu uniforme azul marinho (sempre achei crueldade em pleno o estado do Ceará que é quente que só casebre de besta do diabo, onde morei boa parte da vida e desfruto meus dias atuais, o fardamento escolar ser, em grande parte das escolas, de cores escuras), com um pequeno chapéu bege carregando uma mochila, que nas costas de um adulto poderia carregá-lo dentro, trilhando seu longo caminho, chutando pedrinhas do chão irregular, arrastando suas mãozinhas nos muros das casas vizinhas a minha, tranqüilo e só, mergulhado num mundo que não conheço, mas que pela expressão de seu pequeno corpo me parece um lugar calmo, belo e de conforto já que o menino ignorava o calor, a distância e a dificuldade a frente e graciosamente ia passo a passo vivendo a rotina regular de sua caminhada.
Vejo agora descer a praia e daqui tudo nele que se ver é um ponto azul na imensa paisagem que se pode contemplar de minha varanda. Tão insignificante na sua estatura que eu nem o enxergaria se meus olhos não estivessem caminhando com ele desde o momento que ele na frente de minha casa se fez perceber. Assisti-lo assim com olhos e coração atentos me fez voltar aos meus tempos de escola, onde a obrigação e as facilidades eram as únicas coisas que me prendiam a vida escolar e tão somente graças a isso que hoje me aventuro com as letras.
Lembro-me que em sala eu, muitas vezes, me fazia valer do sono e dormia descarado em aulas que de tão desinteressantes que me eram, derrubavam qualquer resistência que eu ensaiasse em relação ao cansaço psicológico forçado. E assim foi, como se diz na minha terra, “levando com o buxo”, que consegui, com alguns anos de atraso terminar meus estudos sem nada que me fizesse deles lembrar com orgulho de tê-los vividos com esforço,dedicação e persistência.
Talvez o pequeno menino nem termine seus estudos como eu, já que no nosso país o futuro das crianças mais pobres ainda está tão entregue aos porcos. Mas no alto de seu no máximo hum metro de altura se mostra bem mais sábio e se faz bem mais merecedor de toda fonte existente de conhecimento do que eu em todo o conjunto de meus dias consegui ser. Um pequeno grande exemplo.
Ele agora chega em sua casa no momento em que eu, humilhado por sua pequena figura e arrependido por jamais ter valorizado como ele os estudos, presto uma homenagem a essa figurinha miudinha que lá longe está e que na graça de seu caminhar me ensinou aquilo que eu nunca quis aprender.
Ao pequeno menino miúdo.
Pedro Almeida


2 Comments:
Engraçado,
Sabe... por alguns anos fui professora, certo que as crianças não tinham essa enorme dificuldade, mas uma parte dela.
E uma coisa que não as deixava esquecer é nunca desitir, por mais difícil que pudesse paracer.
E o mais sarcástico disso tudo, depois de anos ter deixado uma sala de aula, há algumas semanas me peguei pensando é que dentro dela eu me sentia mais feliz.
Quem sabe não é isso que sustenta os passos desse menino miúdo?
A vontade de ser feliz...
Um abç,
Gis
tem uns escritos de blogs meus num livro chamado "semana". lançamos semana passada.
como anda vossa mercê?
bj!
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